AMIGOS
Hoje senti-me mal na rua. Desencontros e acasos levaram-me a caminhar debaixo de um calor intenso. Dei por mim sentado numa paragem de autocarro, com o corpo a insistir em escorregar para o chão. Foi uma première.
Valeram-me desconhecidos. Foram perguntando timididamente, a princípio, se me estava a sentir mal. Acabaram a oferecer-me garrafas de água, a ir buscar pacotes de açúcar a um café próximo e a conseguirem o táxi cujas forças não me permitiam chamar. Era gente simples, das que fazem o país real. A que nos salva nos momentos de delírio e deserção das luminárias.
Desconhecidos acenaram-me pela janela do táxi as melhoras e "que tomasse o açúcar".
Nem tudo está perdido.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
21 de agosto de 2004
20 de agosto de 2004
LISBOA NO VERÃO
Este ano recusa-se a esvaziar. Por um lado, a afluência absurda de turistas que entulham o (eléctrico - "bonde", para os amigos do outro lado) 28, apontando para a basílica da estrela e perguntando, confusos: "Parlamento?". Por outro, o povão comido pela crise e que não teve dinheiro para sair.
Mesmo a ideia do "estacionamento por todo o lado" se tornou uma miragem.
Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se os descansos...
Este ano recusa-se a esvaziar. Por um lado, a afluência absurda de turistas que entulham o (eléctrico - "bonde", para os amigos do outro lado) 28, apontando para a basílica da estrela e perguntando, confusos: "Parlamento?". Por outro, o povão comido pela crise e que não teve dinheiro para sair.
Mesmo a ideia do "estacionamento por todo o lado" se tornou uma miragem.
Enfim, mudam-se os tempos, mudam-se os descansos...
18 de agosto de 2004
COI...DADINHA DELA
Anda tudo admirado por o brilhante 1ºministro que deixámos nomear ter contratado uma socialight para acessora de imagem.
Não contem comigo para o protesto. Primeiro, o homem foi buscar alguém que fala a mesma cor-de-rosa língua que ele.
Segundo, perante a unanimidade em torno da inépcia santanal, vai ser tarefa de hércules (herculina, na ocorrência...) fazer a criatura parecer credível. 600 contos, não me parece muito.
Anda tudo admirado por o brilhante 1ºministro que deixámos nomear ter contratado uma socialight para acessora de imagem.
Não contem comigo para o protesto. Primeiro, o homem foi buscar alguém que fala a mesma cor-de-rosa língua que ele.
Segundo, perante a unanimidade em torno da inépcia santanal, vai ser tarefa de hércules (herculina, na ocorrência...) fazer a criatura parecer credível. 600 contos, não me parece muito.
AINDA A COISA IMPRESSA
No mesmo papel higiénico com letras, referenciado em baixo, descubro outras coisas fascinantes.
Uma, um estimulante anúncio para a zona de Cascais (atenção colegas pipisianos) "Linda... cor do pecado!! Taradinha... bumbum... dou-te tudinho... completíssima!!!". Gosto sobretudo da forma livre como é usada a pontuação.
Outra foi a entrevista de uma actriz (de quem nunca ouvi falar) Ana Não-sei-quê, que defende as dobragens dos filmes em Portugal. Segundo ela, "50% dos pormenores perdem-se enquanto olhamos para as legendas", além de ser "desprestigiante para os actores portugueses". Não explica se o problema da compreensão também é extensível a quem tiver mais de dois neurónios. Nem fala da forma maravilhosa como espanhóis, italianos, franceses e todos os outros que nunca ouvem as vozes nas suas versões originais, dominam os idiomas estrangeiros...
Embora não seja a única com esta posição (Manuel Fonseca, da Sic, por exemplo, defendeu durante muitos anos a necessidade de termos tudo dobrado para português e só o insucesso das tentativas o têm retido) cabe-me perguntar a dEUS se não nos faz o favor de mandar um peso de mil quilos do céu direitinho a esta tola?!
Oh, valha-me o São Vasco Granja!
No mesmo papel higiénico com letras, referenciado em baixo, descubro outras coisas fascinantes.
Uma, um estimulante anúncio para a zona de Cascais (atenção colegas pipisianos) "Linda... cor do pecado!! Taradinha... bumbum... dou-te tudinho... completíssima!!!". Gosto sobretudo da forma livre como é usada a pontuação.
Outra foi a entrevista de uma actriz (de quem nunca ouvi falar) Ana Não-sei-quê, que defende as dobragens dos filmes em Portugal. Segundo ela, "50% dos pormenores perdem-se enquanto olhamos para as legendas", além de ser "desprestigiante para os actores portugueses". Não explica se o problema da compreensão também é extensível a quem tiver mais de dois neurónios. Nem fala da forma maravilhosa como espanhóis, italianos, franceses e todos os outros que nunca ouvem as vozes nas suas versões originais, dominam os idiomas estrangeiros...
Embora não seja a única com esta posição (Manuel Fonseca, da Sic, por exemplo, defendeu durante muitos anos a necessidade de termos tudo dobrado para português e só o insucesso das tentativas o têm retido) cabe-me perguntar a dEUS se não nos faz o favor de mandar um peso de mil quilos do céu direitinho a esta tola?!
Oh, valha-me o São Vasco Granja!
FOGUEIRA DE VAIDADES
Desde que a corrida à fama começou, via televisão e lixo cor-de-rosa, que algumas pessoas (entre as quais, eu) têm vindo a alertar para as consequências deste movimento. Pegar em gente instável emocionalmente e transformá-las em "figuras públicas" é um processo manipulador e maldoso. Como o violador que elogia a vítima antes do ataque.
Os Bigs Brothers e a lógica Tvi (que alastrou à Sic e só não funciona tão bem com a RTP... porque nada funciona naquela casa) criaram pessoas artificialmente conhecidas, deram-lhe esperança e promessas de sucesso eterno.Depois, como era inevitável, cuspiram-nas, para fazerem o mesmo com outras e assim sucessivamente.
Hoje, dei por mim, a comprar o 24 HORAS, esse inominável pasquim, porque fazia capa com a loucura de Zé Maria. A ser verdade (o que só por si já seria um feito, nesta espécie de papéis de embrulhar o peixe), o primeiro vencedor (?) dos reality shows portugueses teria cedido à pressão inglória e, depois de uma tentativa de suicídio, fora internado dando sinais de loucura.
Ora isto é mais do que triste. Sobretudo porque, na minha opinião, ele será o primeiro de muitos. A corrida à glória fácil, por oposição à conquista pelo mérito, começa a mostrar a sua face. Não faltará muito para termos "tias-socialites" a encherem-se de comprimidos ao levarem com o mundo na cara, tendo apenas umas folhas impressas com fotos suas onde se agarrar.
Desejo sinceramente que sejam apenas dores de crescimento de um país adolescente.
Desde que a corrida à fama começou, via televisão e lixo cor-de-rosa, que algumas pessoas (entre as quais, eu) têm vindo a alertar para as consequências deste movimento. Pegar em gente instável emocionalmente e transformá-las em "figuras públicas" é um processo manipulador e maldoso. Como o violador que elogia a vítima antes do ataque.
Os Bigs Brothers e a lógica Tvi (que alastrou à Sic e só não funciona tão bem com a RTP... porque nada funciona naquela casa) criaram pessoas artificialmente conhecidas, deram-lhe esperança e promessas de sucesso eterno.Depois, como era inevitável, cuspiram-nas, para fazerem o mesmo com outras e assim sucessivamente.
Hoje, dei por mim, a comprar o 24 HORAS, esse inominável pasquim, porque fazia capa com a loucura de Zé Maria. A ser verdade (o que só por si já seria um feito, nesta espécie de papéis de embrulhar o peixe), o primeiro vencedor (?) dos reality shows portugueses teria cedido à pressão inglória e, depois de uma tentativa de suicídio, fora internado dando sinais de loucura.
Ora isto é mais do que triste. Sobretudo porque, na minha opinião, ele será o primeiro de muitos. A corrida à glória fácil, por oposição à conquista pelo mérito, começa a mostrar a sua face. Não faltará muito para termos "tias-socialites" a encherem-se de comprimidos ao levarem com o mundo na cara, tendo apenas umas folhas impressas com fotos suas onde se agarrar.
Desejo sinceramente que sejam apenas dores de crescimento de um país adolescente.
16 de agosto de 2004
AGENTE TRIPLO
Com o tempo aprendemos a gostar de outras coisas. Mesmo no cinema. Começa-se com o Spielberg e acaba-se no cinema experimental, ou pelo menos em autores que tentam reinventar a forma de fazer filmes.
Não é o caso do Rohmer. Para mim.
Fui ver o AGENTE TRIPLO. Seca!!
É que não há pachorra para este cinema-teatro em que os actores (frequentemente bons) tentam dar forma a diálogos que não se salvariam em parte nenhuma do mundo. E cenas de 15 páginas?
Não sei. Talvez quando for tão velho na cabeça como muitos dos nossos realizadores e críticos.
Por enquanto, não.
ps: a parte boa foi assistir ao trailler de REGRESSO. Lá iremos. Queira dEUS que não seja outro barrete...
Com o tempo aprendemos a gostar de outras coisas. Mesmo no cinema. Começa-se com o Spielberg e acaba-se no cinema experimental, ou pelo menos em autores que tentam reinventar a forma de fazer filmes.
Não é o caso do Rohmer. Para mim.
Fui ver o AGENTE TRIPLO. Seca!!
É que não há pachorra para este cinema-teatro em que os actores (frequentemente bons) tentam dar forma a diálogos que não se salvariam em parte nenhuma do mundo. E cenas de 15 páginas?
Não sei. Talvez quando for tão velho na cabeça como muitos dos nossos realizadores e críticos.
Por enquanto, não.
ps: a parte boa foi assistir ao trailler de REGRESSO. Lá iremos. Queira dEUS que não seja outro barrete...
15 de agosto de 2004
MOORE
Quase impressionado pelos gritos de "Manipulação! Manipulação!" da nossa direita conservadora (subitamente purista quando entram pela quinta das gravatas de seda vermelhas adentro) levei algum tempo a ir ver o "Fahrenheit 9/11".
Estive longe de o achar manipulador. Expressa uma opinião? Sim. Mas isso percebe-se desde a primeira hora, logo não engana ninguém no que toca as intenções do autor. Mas Michael Moore sabe, de facto, conduzir um documentário de uma forma viva e intensa, passando do cómico ao trágico com a mesma mestria.
No fim, o público presente na sala (esta sessão, ao contrário daquelas a que assistiram os comentadores jornalísticos foi paga) aplaudiu. Não me lembro de ter visto esse gesto fora de festivais.
Mas se calhar o Nuno Rogeiro tem razão e o Bush é mesmo boa pessoa e as armas que serviram de desculpa à invasão do Iraque existem mesmo (embora se tenham tornado invisíveis, o que só vem aumentar ainda mais o seu poder). Ou se calhar, é um presidente que serve bem gente como ele, que ganham a vida a fingir entender alguma coisa de estratégia militar e de movimentações económicas.
ps: não pude deixar de estabelecer o paralelismo com Portugal: também nós temos um palhaço a governar. E tal como os Estados Unidos isso não será sem consequências.
Quase impressionado pelos gritos de "Manipulação! Manipulação!" da nossa direita conservadora (subitamente purista quando entram pela quinta das gravatas de seda vermelhas adentro) levei algum tempo a ir ver o "Fahrenheit 9/11".
Estive longe de o achar manipulador. Expressa uma opinião? Sim. Mas isso percebe-se desde a primeira hora, logo não engana ninguém no que toca as intenções do autor. Mas Michael Moore sabe, de facto, conduzir um documentário de uma forma viva e intensa, passando do cómico ao trágico com a mesma mestria.
No fim, o público presente na sala (esta sessão, ao contrário daquelas a que assistiram os comentadores jornalísticos foi paga) aplaudiu. Não me lembro de ter visto esse gesto fora de festivais.
Mas se calhar o Nuno Rogeiro tem razão e o Bush é mesmo boa pessoa e as armas que serviram de desculpa à invasão do Iraque existem mesmo (embora se tenham tornado invisíveis, o que só vem aumentar ainda mais o seu poder). Ou se calhar, é um presidente que serve bem gente como ele, que ganham a vida a fingir entender alguma coisa de estratégia militar e de movimentações económicas.
ps: não pude deixar de estabelecer o paralelismo com Portugal: também nós temos um palhaço a governar. E tal como os Estados Unidos isso não será sem consequências.
13 de agosto de 2004
SUDOESTE
Com alguns dias de atraso, deixo aqui o testemunho do espírito costumeiro vivido a sul do Tejo. As bandas eram (para mim) um bocadinho chatas e pouco interactivas com o público (excepção para os Franz Ferdinand e os Air, do lado estrangeiro, e os DaWeasel pelas cores nacionais). Os Groove Armada foram uma electrónica decepção e os Kraftwerk (que nunca tinha visto ao vivo) uma viagem revivalista ao tempo do Pac Man.
Mas a relva continuava lá para a gente se sentar e os hamburgueres psicológicos para nos envenenarmos. Destaque para a forma leal como os barretes "saci pereré" da S.Bock se bateram com os chapéus laranjinha da Optimus.
Para o ano ou para o outro haverá mais.
Com alguns dias de atraso, deixo aqui o testemunho do espírito costumeiro vivido a sul do Tejo. As bandas eram (para mim) um bocadinho chatas e pouco interactivas com o público (excepção para os Franz Ferdinand e os Air, do lado estrangeiro, e os DaWeasel pelas cores nacionais). Os Groove Armada foram uma electrónica decepção e os Kraftwerk (que nunca tinha visto ao vivo) uma viagem revivalista ao tempo do Pac Man.
Mas a relva continuava lá para a gente se sentar e os hamburgueres psicológicos para nos envenenarmos. Destaque para a forma leal como os barretes "saci pereré" da S.Bock se bateram com os chapéus laranjinha da Optimus.
Para o ano ou para o outro haverá mais.
OLIMPÍADAS
Muito bonita a cerimónia de abertura dos jogos. Gostava até de ter acabado de ver o desfile dos atletas, nomeadamente os da delegação portuguesa. Mas a RTP achou por bem não fazer esperar o Orelhas e a importantíssima notícia do caso das cassetes piratas.
Enfim... Fica-nos a memória da excelência da antiguidade grega.
Muito bonita a cerimónia de abertura dos jogos. Gostava até de ter acabado de ver o desfile dos atletas, nomeadamente os da delegação portuguesa. Mas a RTP achou por bem não fazer esperar o Orelhas e a importantíssima notícia do caso das cassetes piratas.
Enfim... Fica-nos a memória da excelência da antiguidade grega.
2 de agosto de 2004
SMS
Numa das últimas Grande Reportagem, o Pedro Mexia falava sobre as mensagens escritas, essa "literatura ínfima". Estou de acordo com ele, no geral. A nossa geração é privilegiada não por ter nascido de barriga cheia, com computadores a funcionar a velocidades razoáveis e telemóveis que nos permitem estar contactáveis por toda a parte (se nos apetecer). É-o, sim, por ter vivido antes disso e poder apreciar agora essas vantagens.
Um som na noite. Um ecrã que se ilumina. E a frase "amo-te" ou outra qualquer que queira dizer a mesma coisa.
Se nós quiséssemos, ela poderia ficar ali escrita para sempre.
Se. Mas ainda assim.
Numa das últimas Grande Reportagem, o Pedro Mexia falava sobre as mensagens escritas, essa "literatura ínfima". Estou de acordo com ele, no geral. A nossa geração é privilegiada não por ter nascido de barriga cheia, com computadores a funcionar a velocidades razoáveis e telemóveis que nos permitem estar contactáveis por toda a parte (se nos apetecer). É-o, sim, por ter vivido antes disso e poder apreciar agora essas vantagens.
Um som na noite. Um ecrã que se ilumina. E a frase "amo-te" ou outra qualquer que queira dizer a mesma coisa.
Se nós quiséssemos, ela poderia ficar ali escrita para sempre.
Se. Mas ainda assim.
1 de agosto de 2004
O´ L'AMOUREEE, LÁMOURE
Estou ansioso por ler o livro escrito a duas mãos pelo Eduardo P. Coelho e pala Ana Calhau. Segundo a atenta Ana Marques Gastão "uma máquina de subjectividade" onde "o mundo dos sentimentos dir-se-ia brilhante e obscuro, cálido e gélido...". Não me parece de perder este desabafo amoroso do homem que considerou o último livro de Mafalda Ivo Cruz como "uma obra agreste, por vezes desconcertante, mas intensa"...
Estou ansioso por ler o livro escrito a duas mãos pelo Eduardo P. Coelho e pala Ana Calhau. Segundo a atenta Ana Marques Gastão "uma máquina de subjectividade" onde "o mundo dos sentimentos dir-se-ia brilhante e obscuro, cálido e gélido...". Não me parece de perder este desabafo amoroso do homem que considerou o último livro de Mafalda Ivo Cruz como "uma obra agreste, por vezes desconcertante, mas intensa"...
O PAÍS IMAGINÁRIO
O DN tem cronistas maravilhosos, como a Vera Roquete e a Maria João Lopo de Carvalho. Esta última (escritora, no sentido que matraqueia nas teclas como os que o são) vem, esta semana dar uma palavra de esperança a alguns pais preocupados. Sob o título "Dores de barriga", traz à luz o gravíssimo problema dos progenitores aflitos com as viagens dos filhos ao estrangeiro. "Nesta época de Verão, já é quase moda do século bandos de crianças (...) partirem como as cegonhas ou as andorinhas rumo aos países frios". A Escândinavia e Assim..., presume-se. Recebidos em colégios internos ou "no seio de uma nova família", os louros rebentos lá vão. Para grande dor de barriga dos paiiiiiiisss.
No parque de campismo de onde regresso (1.60 euros por tenda com mais de 6m2) não se falava de outra coisa. As centenas de campistas enquanto contavam o dinheiro que levariam no dia seguinte à praça, estavam apoquentadíssimos. Era ouvi-los: " Ó rica..., não sei se mande o Vítor Emanuel para a Baviera, se para um campo de férias na Escócia, o que é que a menina acha...?".
É este o país que as santanetes imaginam habitar.
O DN tem cronistas maravilhosos, como a Vera Roquete e a Maria João Lopo de Carvalho. Esta última (escritora, no sentido que matraqueia nas teclas como os que o são) vem, esta semana dar uma palavra de esperança a alguns pais preocupados. Sob o título "Dores de barriga", traz à luz o gravíssimo problema dos progenitores aflitos com as viagens dos filhos ao estrangeiro. "Nesta época de Verão, já é quase moda do século bandos de crianças (...) partirem como as cegonhas ou as andorinhas rumo aos países frios". A Escândinavia e Assim..., presume-se. Recebidos em colégios internos ou "no seio de uma nova família", os louros rebentos lá vão. Para grande dor de barriga dos paiiiiiiisss.
No parque de campismo de onde regresso (1.60 euros por tenda com mais de 6m2) não se falava de outra coisa. As centenas de campistas enquanto contavam o dinheiro que levariam no dia seguinte à praça, estavam apoquentadíssimos. Era ouvi-los: " Ó rica..., não sei se mande o Vítor Emanuel para a Baviera, se para um campo de férias na Escócia, o que é que a menina acha...?".
É este o país que as santanetes imaginam habitar.
27 de julho de 2004
CONAN, UMA VEZ MAIS
Vivia fora de Portugal aquando das repetições na SIC. Por isso já lá iam 20 anos (se não mais) que não o via pendurar-se pelos dedos dos pés, enfrentar tufões e atirar grupos de maus ao ar à força de braço...
Entretanto fui descobrindo quem era o Myazaki, os seus filmes e o seu maravilhoso talento. Fui relembrado à força de dvds de que o talento de um criador não se deixa impressionar com a passagem do tempo.
Aguenta-se pelos dedos dos pés no vazio, imagino eu...
Vivia fora de Portugal aquando das repetições na SIC. Por isso já lá iam 20 anos (se não mais) que não o via pendurar-se pelos dedos dos pés, enfrentar tufões e atirar grupos de maus ao ar à força de braço...
Entretanto fui descobrindo quem era o Myazaki, os seus filmes e o seu maravilhoso talento. Fui relembrado à força de dvds de que o talento de um criador não se deixa impressionar com a passagem do tempo.
Aguenta-se pelos dedos dos pés no vazio, imagino eu...
FUMOS 1
Quase debaixo da minha janela, um andar abaixo, dois homens fumam cigarros atrás de cigarros. Está calor e distraem-se assim. Têm os pés assentes num apartamento comprado ou alugado, os braços estendidos na direcção da rua que é pública. E contudo, é nas paredes do meu quarto que o fumo se aloja, incidioso e nojento.
Tudo legal e praticamente correcto. O cancro quase privado.
Isso traz-me à memória uma carta publicada na Grande Reportagem deste sábado. "(...)que dizer do meu local de trabalho, o serviço de anestesia do Hospital de Santa Maria, onde tenho de "gramar" a poluição horrível e sufocante dos meus colegas viciados do cigarro(...) Impressionante a cadência com que aquelas doutoras anestesistas consomem cigarros durante as horas de serviço incomodando tudo e todos, viciando o ar ambiente das nossas instalações (...)E eu que julgava ser proibido fumar nesas instituições de saúde. Meus Deus, como sou ingénuo".
Quase debaixo da minha janela, um andar abaixo, dois homens fumam cigarros atrás de cigarros. Está calor e distraem-se assim. Têm os pés assentes num apartamento comprado ou alugado, os braços estendidos na direcção da rua que é pública. E contudo, é nas paredes do meu quarto que o fumo se aloja, incidioso e nojento.
Tudo legal e praticamente correcto. O cancro quase privado.
Isso traz-me à memória uma carta publicada na Grande Reportagem deste sábado. "(...)que dizer do meu local de trabalho, o serviço de anestesia do Hospital de Santa Maria, onde tenho de "gramar" a poluição horrível e sufocante dos meus colegas viciados do cigarro(...) Impressionante a cadência com que aquelas doutoras anestesistas consomem cigarros durante as horas de serviço incomodando tudo e todos, viciando o ar ambiente das nossas instalações (...)E eu que julgava ser proibido fumar nesas instituições de saúde. Meus Deus, como sou ingénuo".
25 de julho de 2004
24 de julho de 2004
CONTINUAR
Lendo o programa de governo, disponibilizado na net, verifico que a ministra da cultura tenciona continuar a política do seu antecessor.
Segundo as últimas notícias, Harry Potter já terá declarado "Ela que nem pense que eu vou voltar a emprestar o meu manto de invisibilidade a um ministro!".
Lendo o programa de governo, disponibilizado na net, verifico que a ministra da cultura tenciona continuar a política do seu antecessor.
Segundo as últimas notícias, Harry Potter já terá declarado "Ela que nem pense que eu vou voltar a emprestar o meu manto de invisibilidade a um ministro!".
O FOSSO
Qualquer pessoa que tenha estado num país subdesenvolvido estará habituado ao choque de ver gente podre de rica a passar nas ruas onde se sofre com fome. Quando aconteceu o 25 de Abril e a música de Carlos Paredes se confundia com canções ingénuas de intervenção julgou-se que isso nunca mais aconteceria em Portugal.
Hoje, no país em que o primeiro-ministro entrega programas de governo em cd-rom (o que é bom para as árvores) temos 400.000 desempregados (declarados) e um aumento astronómico da venda de carros de luxo. A Jaguar aumentou mais de 400 % as suas vendas, no ano passado, venderam-se modelos que custam meio milhão de euros e por aí fora...
É por estas e por outras que o discurso de que é preciso que os empresários rebentem de ricos para que os pobres possam ter uma sopa na mesa se torna mais chocante. Para mim, para mim, pelo menos...
Qualquer pessoa que tenha estado num país subdesenvolvido estará habituado ao choque de ver gente podre de rica a passar nas ruas onde se sofre com fome. Quando aconteceu o 25 de Abril e a música de Carlos Paredes se confundia com canções ingénuas de intervenção julgou-se que isso nunca mais aconteceria em Portugal.
Hoje, no país em que o primeiro-ministro entrega programas de governo em cd-rom (o que é bom para as árvores) temos 400.000 desempregados (declarados) e um aumento astronómico da venda de carros de luxo. A Jaguar aumentou mais de 400 % as suas vendas, no ano passado, venderam-se modelos que custam meio milhão de euros e por aí fora...
É por estas e por outras que o discurso de que é preciso que os empresários rebentem de ricos para que os pobres possam ter uma sopa na mesa se torna mais chocante. Para mim, para mim, pelo menos...
23 de julho de 2004
MÚSICA
As hárpias hão-de estar felizes: 2004 foi o ano de todos os desaparecimentos.
Pediram-me há um ano atrás que escrevesse um texto sobre a música de Carlos Paredes. Ocorreram-me imagens de mineiros, gente que arrancasse música da rocha. Com esforço. E que a energia dessa dificuldasse levasse a notas mais altas do que se julgaria possível. Falo de memória. E é na memória que lembraremos a sua forma de fazer. O resto fica para o futuro. Para os que voltarem a pegar nas suas composições.
As hárpias hão-de estar felizes: 2004 foi o ano de todos os desaparecimentos.
Pediram-me há um ano atrás que escrevesse um texto sobre a música de Carlos Paredes. Ocorreram-me imagens de mineiros, gente que arrancasse música da rocha. Com esforço. E que a energia dessa dificuldasse levasse a notas mais altas do que se julgaria possível. Falo de memória. E é na memória que lembraremos a sua forma de fazer. O resto fica para o futuro. Para os que voltarem a pegar nas suas composições.
22 de julho de 2004
JORNAL DO INCRÍVEL
Hoje de manhã, ao sair de casa, ouvi gemer. Fui encontrar um homenzinho louro, a gravata à banda e ar de pânico, escondido atrás do caixote do lixo.
"POR AMOR DE DEUS, não me denuncie...", pediu ele, "Esta madrugada, quando ia a passar na 24 de Julho, fui perseguido pelo Santana Lopes". Neste ponto da história, arrepiei-me: ser perseguido pelo actual (risos) primeiro-ministro deve ser uma experiência difícil. "Queria que eu fosse secretário de estado da Noite... Que eu tinha sido a primeira pessoa a passar por ali e por isso... Eu recusei, dizendo que tinha tido uma avaria no carro e que estava a tentar resolver o problema... Aí ele deu-me uma palmada no ombro e declarou que então passaria a ser secretário dos Transportes, ou das Avarias Gerais, ou dos Acasos Improváveis... Por amor de Deus: não diga a ninguém que aqui estou".
E dizendo isto, retirou um cornflake que tinha ficado pegado à caixa que comeu com ar aflito...
Hoje de manhã, ao sair de casa, ouvi gemer. Fui encontrar um homenzinho louro, a gravata à banda e ar de pânico, escondido atrás do caixote do lixo.
"POR AMOR DE DEUS, não me denuncie...", pediu ele, "Esta madrugada, quando ia a passar na 24 de Julho, fui perseguido pelo Santana Lopes". Neste ponto da história, arrepiei-me: ser perseguido pelo actual (risos) primeiro-ministro deve ser uma experiência difícil. "Queria que eu fosse secretário de estado da Noite... Que eu tinha sido a primeira pessoa a passar por ali e por isso... Eu recusei, dizendo que tinha tido uma avaria no carro e que estava a tentar resolver o problema... Aí ele deu-me uma palmada no ombro e declarou que então passaria a ser secretário dos Transportes, ou das Avarias Gerais, ou dos Acasos Improváveis... Por amor de Deus: não diga a ninguém que aqui estou".
E dizendo isto, retirou um cornflake que tinha ficado pegado à caixa que comeu com ar aflito...
21 de julho de 2004
NACIONAL POSITIVO
Num tempo em que toda a gente só pede e reclama, foi muito agradável ver uma das responsáveis da empresa Carapau de Corrida sorrir e declarar a sua vontade de trabalhar e ir ao encontro da sua clientela pequenina. As roupas e acessórios são de facto lindos, ou assim me pareceram através da televisão. A imaginação parte ali à desfilada, com bolsos que os putos podem mudar de sítio se lhes der na real gana e vestidos-relva que nos remetem para aquilo que a infância deve ser: um lugar tranquilo onde se pode sonhar sem medo do que pareceremos.
Para os pais que muitos de vocês são, sugiro uma visita aqui. :)
Num tempo em que toda a gente só pede e reclama, foi muito agradável ver uma das responsáveis da empresa Carapau de Corrida sorrir e declarar a sua vontade de trabalhar e ir ao encontro da sua clientela pequenina. As roupas e acessórios são de facto lindos, ou assim me pareceram através da televisão. A imaginação parte ali à desfilada, com bolsos que os putos podem mudar de sítio se lhes der na real gana e vestidos-relva que nos remetem para aquilo que a infância deve ser: um lugar tranquilo onde se pode sonhar sem medo do que pareceremos.
Para os pais que muitos de vocês são, sugiro uma visita aqui. :)
SEU ESTE, SEU AQUELE!
Ontem ia andando à porrada. Dito assim soa exactamente àquilo que quase foi: o descontrolo da imaturidade. Embora menos divertido do que as memórias de infância.
Perguntam-me por quê? Se foi para defender a liberdade de expressão, ou para salvar das garras de um terrorista uma italiana indefesa (como se existissem...!)... Enfim, há-de ter sido por coisa de monta, isto de adultos quase chegarem a vias de facto. Mas não.
Foi por um lugar de estacionamento.
Depois de inúmeras voltas no parque de estacionamento de um centro comercial, vislumbrei um carro que saía. Fiz o que normalmente se faz: abri sinal e encostei à direita. Infelizmente, de frente chegou um outro carro. Que abriu sinal. Surpreendido fiz-lhe sinal que (como se vira) tinha chegado e que iria estacionar ali. Ele insistiu no pisca. E eu na pretensão. A fila de carros avolumava-se atrás de ambos. Mal o outro desencostou, cheguei-me à frente. Foi o tempo dos insultos que ali se instalou. Enlouquecido, aos gritos, o casal do outro lado berrava que aquele sítio "era deles"; que eu teria "manifestado a intenção breve de não me apetecer estacionar ali" (em tradução foi mais ou menos isto: "$#"/&&=/=(&()( na )(/()/&(/& desse lugar, mas como são todos uns P=/&/)/( e )(/(/&/%#"""!!#). O homem queria mesmo sangue. Eu só queria estacionar. As dezenas de carros que foram chegando e buzinavam furiosamente estavam mais viradas para ir procurar um lugar para eles. Foi este coro de buzinadelas que o levou a desistir. Sem ao menos ter podido trocar uns socos. Como se faz no buraco onde mora. Como se fazia na infância que lhe calhou. Como há-de fazer quando a gritadora que vai ao lado lhe berra aos ouvidos.
A violência não me amedronta, sempre que tenho razão. Mas surpreende-me. Parece-me que não há-de existir sobre aquela forma por lapidar.
Mas sou eu, que não vivo com os pés a 100% na terra.
Ontem ia andando à porrada. Dito assim soa exactamente àquilo que quase foi: o descontrolo da imaturidade. Embora menos divertido do que as memórias de infância.
Perguntam-me por quê? Se foi para defender a liberdade de expressão, ou para salvar das garras de um terrorista uma italiana indefesa (como se existissem...!)... Enfim, há-de ter sido por coisa de monta, isto de adultos quase chegarem a vias de facto. Mas não.
Foi por um lugar de estacionamento.
Depois de inúmeras voltas no parque de estacionamento de um centro comercial, vislumbrei um carro que saía. Fiz o que normalmente se faz: abri sinal e encostei à direita. Infelizmente, de frente chegou um outro carro. Que abriu sinal. Surpreendido fiz-lhe sinal que (como se vira) tinha chegado e que iria estacionar ali. Ele insistiu no pisca. E eu na pretensão. A fila de carros avolumava-se atrás de ambos. Mal o outro desencostou, cheguei-me à frente. Foi o tempo dos insultos que ali se instalou. Enlouquecido, aos gritos, o casal do outro lado berrava que aquele sítio "era deles"; que eu teria "manifestado a intenção breve de não me apetecer estacionar ali" (em tradução foi mais ou menos isto: "$#"/&&=/=(&()( na )(/()/&(/& desse lugar, mas como são todos uns P=/&/)/( e )(/(/&/%#"""!!#). O homem queria mesmo sangue. Eu só queria estacionar. As dezenas de carros que foram chegando e buzinavam furiosamente estavam mais viradas para ir procurar um lugar para eles. Foi este coro de buzinadelas que o levou a desistir. Sem ao menos ter podido trocar uns socos. Como se faz no buraco onde mora. Como se fazia na infância que lhe calhou. Como há-de fazer quando a gritadora que vai ao lado lhe berra aos ouvidos.
A violência não me amedronta, sempre que tenho razão. Mas surpreende-me. Parece-me que não há-de existir sobre aquela forma por lapidar.
Mas sou eu, que não vivo com os pés a 100% na terra.
19 de julho de 2004
DA JANELA DO AUTOCARRO 74
avisto o que se convencionou chamar uma "tiazorra" (que consiste numa espertalhona, a quem a vida não beneficiou com heranças ou educação, mas que está disposta a chegar ao topo apoiando os bicos afiados dos sapatos nas cabeças de quem for preciso). Lá ia, com o cabelo quase louro ao vento, as argoletas a desafiarem a gravidade, o bronzeado artificial a chupar-lhe a cara comida pela dieta. Isto tudo embrulhado num "tailleur" que um dia (talvez) será pago à loja.
Quem morou nos subúrbios das cidades entenderá melhor do que falo, pois é ali que deambulam, escorrendo baba, os cães vadios.
avisto o que se convencionou chamar uma "tiazorra" (que consiste numa espertalhona, a quem a vida não beneficiou com heranças ou educação, mas que está disposta a chegar ao topo apoiando os bicos afiados dos sapatos nas cabeças de quem for preciso). Lá ia, com o cabelo quase louro ao vento, as argoletas a desafiarem a gravidade, o bronzeado artificial a chupar-lhe a cara comida pela dieta. Isto tudo embrulhado num "tailleur" que um dia (talvez) será pago à loja.
Quem morou nos subúrbios das cidades entenderá melhor do que falo, pois é ali que deambulam, escorrendo baba, os cães vadios.
CASAS
Segundo leio, o preço do aço desceu, diminuindo os custos de construção. Paralelamente, o preço médio das casas subiu, no mesmo período, 3,4 %. Eu sei que não fui grande aluno a matemática... mas ainda assim, tenho um pressentimento de que algo está errado com esta conta.
Uma das coisas mais divertidas quando se viaja é comparar os preços das habitações entre as grandes cidades europeias e QUALQUER cidade portuguesa. É sempre fascinante saber que um apartamento de 3 assoalhadas no centro de Paris pode custar o mesmo que um T0 em Chelas. Julgo que esta diferença se explica com os ordenadões que recebem os trolhas ucranianos ou guineenses no nosso país... Pobres empreiteiros portugueses.
Segundo leio, o preço do aço desceu, diminuindo os custos de construção. Paralelamente, o preço médio das casas subiu, no mesmo período, 3,4 %. Eu sei que não fui grande aluno a matemática... mas ainda assim, tenho um pressentimento de que algo está errado com esta conta.
Uma das coisas mais divertidas quando se viaja é comparar os preços das habitações entre as grandes cidades europeias e QUALQUER cidade portuguesa. É sempre fascinante saber que um apartamento de 3 assoalhadas no centro de Paris pode custar o mesmo que um T0 em Chelas. Julgo que esta diferença se explica com os ordenadões que recebem os trolhas ucranianos ou guineenses no nosso país... Pobres empreiteiros portugueses.
17 de julho de 2004
TOMADA DE POSE
A composição do novo governo foi a esperada: dois homens fortes que transitam e contemplam a continuidade da coisa estável; um que vem de arrasto porque qualquer um que lá caia será como um pena que voa entre interesses farmacêuticos, corporações médicas e necessidades tão grandes que nunca serão alimentadas a contento; e o grupo dos amigalhaços. Nada de novo nisto, basta olhar para governos anteriores para ver que sempre foi assim.
Da mesma maneira que a concepção que os primeiro-ministros têm das mulheres. Neste, apenas 3, entre 12. A ocuparem as pastas que um Portugal machista aprova: a escola e a cultura. No primeiro caso, porque é destino da mulher (além do maravilhoso dever da maternidade, como diria o actual ministro das Finanças...) educar as crianças. A outra parte cumpre o lado decorativo. Não há coisa mais bela e inútil do que a Cultura, nesta visão. Logo, nada melhor do que uma mulher para a ocupar.
Pergunto a mim próprio como é que os milhões de mulheres portuguesas não tomam consciência disto e vão para as ruas pedir a chegada do século XXI...?
A composição do novo governo foi a esperada: dois homens fortes que transitam e contemplam a continuidade da coisa estável; um que vem de arrasto porque qualquer um que lá caia será como um pena que voa entre interesses farmacêuticos, corporações médicas e necessidades tão grandes que nunca serão alimentadas a contento; e o grupo dos amigalhaços. Nada de novo nisto, basta olhar para governos anteriores para ver que sempre foi assim.
Da mesma maneira que a concepção que os primeiro-ministros têm das mulheres. Neste, apenas 3, entre 12. A ocuparem as pastas que um Portugal machista aprova: a escola e a cultura. No primeiro caso, porque é destino da mulher (além do maravilhoso dever da maternidade, como diria o actual ministro das Finanças...) educar as crianças. A outra parte cumpre o lado decorativo. Não há coisa mais bela e inútil do que a Cultura, nesta visão. Logo, nada melhor do que uma mulher para a ocupar.
Pergunto a mim próprio como é que os milhões de mulheres portuguesas não tomam consciência disto e vão para as ruas pedir a chegada do século XXI...?
16 de julho de 2004
NA PRATELEIRA ONDE NADA SE REPETE
"Então, Barnabé, tudo ficou prompto?
"Sim, meu senhor."
"Está a gaiola arranjada, o que falta é o pardal!"
Riu-se, abrindo uma boca monstruosa.
D. Paio não secundou o riso do seu humillissimo servo; mas pareceu agradar-lhe a demonstração.
"Estou satisfeito de ti porque me tens servido a meu contento. És um excellente servo"
in A CONQUISTA DE LISBOA, Carlos Pinto de Almeida, 1866
"Então, Barnabé, tudo ficou prompto?
"Sim, meu senhor."
"Está a gaiola arranjada, o que falta é o pardal!"
Riu-se, abrindo uma boca monstruosa.
D. Paio não secundou o riso do seu humillissimo servo; mas pareceu agradar-lhe a demonstração.
"Estou satisfeito de ti porque me tens servido a meu contento. És um excellente servo"
in A CONQUISTA DE LISBOA, Carlos Pinto de Almeida, 1866
DECLARAÇÃO QUASE POLÍTICA
É capaz de ser da passagem do tempo. Mas cada dia que passa, ou melhor, nos dias que acontecem, concordo cada vez mais com o Miguel Sousa Tavares e com o Pacheco Pereira. A posição clara de ambos face à aurea mediocritas da nossa política está, no essencial, igual à minha. E a pouca paciência para o baile de debutantes que se avizinha, idem.
É capaz de ser da passagem do tempo. Mas cada dia que passa, ou melhor, nos dias que acontecem, concordo cada vez mais com o Miguel Sousa Tavares e com o Pacheco Pereira. A posição clara de ambos face à aurea mediocritas da nossa política está, no essencial, igual à minha. E a pouca paciência para o baile de debutantes que se avizinha, idem.
15 de julho de 2004
DO NADA
Quando se olha com atenção o panorama das pessoas que se conhecem, de ver falar na televisão ou de ler nos jornais, fixamo-nos frequentemente no apelido. Não é por acaso. A esmagadora maioria desses nomes já era conhecido nas gerações anteriores. Frequentemente, desde a queda do Marquês de Pombal.
Pensei nisto, enquanto procurava no dicionário da Academia a forma correcta como se escrevia uma palavra. E se eu não tivesse dicionário? Ou dinheiro para um computador, com corrector ortográfico, para as dúvidas mais básicas? Sem querer dar a imagem do alpinista (porque eu estaria a falar da busca do conhecimento e nos tempos que vivemos isso significa apenas fazer madeixas, não olhar a meios e subir em direcção ao fogo que queimará), ainda vou lembrando que é mais fácil atingir o cume com um casaco quentinho e umas botas adequadas.
Por isso, quando vejo alguém que conseguiu produzir uma obra contra todas as dificuldades económicas, sociais ou de qualquer outra natureza simples, não posso deixar de o/a valorizar.
É tão fácil conjugar bem os verbos quando o papá e a mamã (e ainda bem para eles) são licenciados e o avô e a avó tinham a casa cheia de livros...
E contudo...
Quando se olha com atenção o panorama das pessoas que se conhecem, de ver falar na televisão ou de ler nos jornais, fixamo-nos frequentemente no apelido. Não é por acaso. A esmagadora maioria desses nomes já era conhecido nas gerações anteriores. Frequentemente, desde a queda do Marquês de Pombal.
Pensei nisto, enquanto procurava no dicionário da Academia a forma correcta como se escrevia uma palavra. E se eu não tivesse dicionário? Ou dinheiro para um computador, com corrector ortográfico, para as dúvidas mais básicas? Sem querer dar a imagem do alpinista (porque eu estaria a falar da busca do conhecimento e nos tempos que vivemos isso significa apenas fazer madeixas, não olhar a meios e subir em direcção ao fogo que queimará), ainda vou lembrando que é mais fácil atingir o cume com um casaco quentinho e umas botas adequadas.
Por isso, quando vejo alguém que conseguiu produzir uma obra contra todas as dificuldades económicas, sociais ou de qualquer outra natureza simples, não posso deixar de o/a valorizar.
É tão fácil conjugar bem os verbos quando o papá e a mamã (e ainda bem para eles) são licenciados e o avô e a avó tinham a casa cheia de livros...
E contudo...
FEIRAS DE VERÃO
Por todo o país as Câmaras, nos seus vários departamentos, se desdobram em festas e convites. A saber: Cantores de toda a espécie a 1000 contos. Fernando Rocha a 2000. Poetas e Escritores a deve-tar-maluco-se-pensa-que-lhe-vou-dar-um-cêntimo-para-falar-dessas-merdas-chatas.
É Portugal. O presente e o que se está a formar.
Por todo o país as Câmaras, nos seus vários departamentos, se desdobram em festas e convites. A saber: Cantores de toda a espécie a 1000 contos. Fernando Rocha a 2000. Poetas e Escritores a deve-tar-maluco-se-pensa-que-lhe-vou-dar-um-cêntimo-para-falar-dessas-merdas-chatas.
É Portugal. O presente e o que se está a formar.
14 de julho de 2004
É ENTRAR, MEUS SENHORES, É ENTRAR
Li, num jornal, outro dia, uma carta de um senhor que acusava o referido orgão de que "estari a fazer publicidade a uma empresa". Referia-se ao IKEA, a loja sueca de móveis. O director defendeu-se em meia-dúzia de palavras e passou adiante.
Hoje, foi a minha vez de ir dar uma volta ao gigantesco empreendimento. Levava uma desculpa: precisava ABSOLUTAMENTE de comprar X. E, lá, deveria haver.
Dei por mim, de sacos carregados de mil e uma coisas e uma vontade de mobilar a casa toda de novo, apenas com o que ali haveria. Conheci outras lojas desta marca no estrangeiro, por isso não sou um novato no comer sueco. Mas acabei por fazer o mesmo que os outros: comprar e querer comprar mais. Imagino os nossos vendedores de artigos de casa a levarem as mãos à cabeça e a anunciarem ruína. E para alguns será.
É inevitável o aparecimento destas grandes superfícies que nos trazem, nas diferentes áreas, o que o pequeno e médio comércio se tem recusado, ou não pode, dar: design, preço competitivo e possibilidade de passar horas e horas a mexer em tudo, a experimentar e a decidir o que apetece levar. Lojas como o IKEA, a Fnac ou a espanhola Zara cumprem o papel inevitável de globalizarem os objectos que nos cercam.
Haverá quem goste e quem odeie esta ideia. Mas para os últimos é melhor que comecem a pensar em alternativas...
ps: Claro que não trouxe o objecto que ia lá OBRIGATORIAMENTE comprar.
Li, num jornal, outro dia, uma carta de um senhor que acusava o referido orgão de que "estari a fazer publicidade a uma empresa". Referia-se ao IKEA, a loja sueca de móveis. O director defendeu-se em meia-dúzia de palavras e passou adiante.
Hoje, foi a minha vez de ir dar uma volta ao gigantesco empreendimento. Levava uma desculpa: precisava ABSOLUTAMENTE de comprar X. E, lá, deveria haver.
Dei por mim, de sacos carregados de mil e uma coisas e uma vontade de mobilar a casa toda de novo, apenas com o que ali haveria. Conheci outras lojas desta marca no estrangeiro, por isso não sou um novato no comer sueco. Mas acabei por fazer o mesmo que os outros: comprar e querer comprar mais. Imagino os nossos vendedores de artigos de casa a levarem as mãos à cabeça e a anunciarem ruína. E para alguns será.
É inevitável o aparecimento destas grandes superfícies que nos trazem, nas diferentes áreas, o que o pequeno e médio comércio se tem recusado, ou não pode, dar: design, preço competitivo e possibilidade de passar horas e horas a mexer em tudo, a experimentar e a decidir o que apetece levar. Lojas como o IKEA, a Fnac ou a espanhola Zara cumprem o papel inevitável de globalizarem os objectos que nos cercam.
Haverá quem goste e quem odeie esta ideia. Mas para os últimos é melhor que comecem a pensar em alternativas...
ps: Claro que não trouxe o objecto que ia lá OBRIGATORIAMENTE comprar.
12 de julho de 2004
DIAS DE TEMPESTADE
Há dias e meses e por vezes anos em que nos sentimos como viajantes que caminhassem por uma estrada de terra, no meio da chuva e da noite. O incómodo das roupas molhadas e da casa iluminada que não aparece dão-nos a ilusão do infindar do percurso. Mas todas são as noites que aclaram. E não há dia que não chegue.
Há dias e meses e por vezes anos em que nos sentimos como viajantes que caminhassem por uma estrada de terra, no meio da chuva e da noite. O incómodo das roupas molhadas e da casa iluminada que não aparece dão-nos a ilusão do infindar do percurso. Mas todas são as noites que aclaram. E não há dia que não chegue.
11 de julho de 2004
AINDA MAIS BREAKING ESTA NEW...
O grande projecto de obras públicas do novo governo já está pensado: um túnel que ligue Lisboa a Madrid. Bem aconselhado, como sempre, Santana Lopes teve uma tomada de consciência formidável: para quê gastar dinheiro com o TGV quando se pode simplesmente criar um túnel com uma inclinação tal que quando um objecto com rodas entra na parte de cima vai parar ao outro lado apenas pela gravidade.
O único senão é que os automobilistas terão de ir por estrada até à Serra da Estrela, local previsto para a entrada.
O grande projecto de obras públicas do novo governo já está pensado: um túnel que ligue Lisboa a Madrid. Bem aconselhado, como sempre, Santana Lopes teve uma tomada de consciência formidável: para quê gastar dinheiro com o TGV quando se pode simplesmente criar um túnel com uma inclinação tal que quando um objecto com rodas entra na parte de cima vai parar ao outro lado apenas pela gravidade.
O único senão é que os automobilistas terão de ir por estrada até à Serra da Estrela, local previsto para a entrada.
BREAKING NEWS
Santana Lopes não quis revelar à SIC quem vai escolher para o acompanhar nesta caminhada. Ou os seus projectos mais imediatos (além de se manter a pau com medo do tautau do Presidente...).
Contudo, recebi por email informações que se podem vir a verificar verdadeiras. Assim, para Ministro da Cultura estão dois nomes na calha: Tó Zé Martinho e Maria João Lopo de Carvalho... O primeiro tem a vantagem de saber o que é ter tido criadas e cozinheiras (o que se revelará uma mais valia na perservação da nossa etnografia). A segunda, além de ser capaz de virar tudo do avesso tornou-se irresistível ao publicar um livro com um menino de luvinhas de boxe e um beicinho que só apetece... adoptar.
Para as Finanças, ainda não se sabe, mas será provavelmente o dono da agência que idealizou e mandou imprimir os milhares e milhares de cartazes que entopem Lisboa. Alguém capaz de convencer um presidente de cãmara de que essa despesa era indispensável é capaz de tirar dinheiro das pedras...
Santana Lopes não quis revelar à SIC quem vai escolher para o acompanhar nesta caminhada. Ou os seus projectos mais imediatos (além de se manter a pau com medo do tautau do Presidente...).
Contudo, recebi por email informações que se podem vir a verificar verdadeiras. Assim, para Ministro da Cultura estão dois nomes na calha: Tó Zé Martinho e Maria João Lopo de Carvalho... O primeiro tem a vantagem de saber o que é ter tido criadas e cozinheiras (o que se revelará uma mais valia na perservação da nossa etnografia). A segunda, além de ser capaz de virar tudo do avesso tornou-se irresistível ao publicar um livro com um menino de luvinhas de boxe e um beicinho que só apetece... adoptar.
Para as Finanças, ainda não se sabe, mas será provavelmente o dono da agência que idealizou e mandou imprimir os milhares e milhares de cartazes que entopem Lisboa. Alguém capaz de convencer um presidente de cãmara de que essa despesa era indispensável é capaz de tirar dinheiro das pedras...
10 de julho de 2004
TEMPO DE PARTIR
Ligo a figura de Maria de Lurdes Pintasilgo a umas férias de Verão. Estava calor e havia uma pereira no quintal onde passávamos as tardes regressadas da praia. Falava-se do governo dos "100 dias", da proposta de uma mulher em mudar as coisas num tempo definido. Não resultou lá muito, é claro. Era mulher num país misógino e atávico; queria ser honesta na pequena mercearia dos favores políticos.
Também a sua candidatura às presidenciais foi especial. Um dos candidatos, já não me lembro se Mário Soares, o animal político, se o dramaturgo Freitas do Amaral (que, benza-o Deus, tem vindo a ficar mais sensato, politicamente falando, com o tempo), atacou a sua pretensão à Presidência com um argumento forte: "Uma mulher que não tem família não pode governar um país". Talvez a não tivesse, no sentido mais limitado do termo, mas tinha sem dúvida no mais amplo já que foi apoiada por milhares de pessoas sensatas e inteligentes. E bastou ver esse movimento para perceber que o passado está, por definição, sempre atrás.
Com Eduardo Lourenço (arquivo Instituto Camões).
Ligo a figura de Maria de Lurdes Pintasilgo a umas férias de Verão. Estava calor e havia uma pereira no quintal onde passávamos as tardes regressadas da praia. Falava-se do governo dos "100 dias", da proposta de uma mulher em mudar as coisas num tempo definido. Não resultou lá muito, é claro. Era mulher num país misógino e atávico; queria ser honesta na pequena mercearia dos favores políticos.
Também a sua candidatura às presidenciais foi especial. Um dos candidatos, já não me lembro se Mário Soares, o animal político, se o dramaturgo Freitas do Amaral (que, benza-o Deus, tem vindo a ficar mais sensato, politicamente falando, com o tempo), atacou a sua pretensão à Presidência com um argumento forte: "Uma mulher que não tem família não pode governar um país". Talvez a não tivesse, no sentido mais limitado do termo, mas tinha sem dúvida no mais amplo já que foi apoiada por milhares de pessoas sensatas e inteligentes. E bastou ver esse movimento para perceber que o passado está, por definição, sempre atrás.
Com Eduardo Lourenço (arquivo Instituto Camões).
9 de julho de 2004
BACK
Estive fora. Sem net. A digerir o jogo da final, a cara-de-pau do Santana e sus muchachos e a morte de Sophia. Disto tudo, só me resta a pena da última. A despedida da Fada Oriana que nunca conheci pessoalmente, mas a quem devo momentos de encantamento. Repousem em paz, a taça e a memória da escritora. Quanto ao outro, que o Tempo cumpra o seu papel.
Estive fora. Sem net. A digerir o jogo da final, a cara-de-pau do Santana e sus muchachos e a morte de Sophia. Disto tudo, só me resta a pena da última. A despedida da Fada Oriana que nunca conheci pessoalmente, mas a quem devo momentos de encantamento. Repousem em paz, a taça e a memória da escritora. Quanto ao outro, que o Tempo cumpra o seu papel.
1 de julho de 2004
PORTUGAL OLÉ OLÉ 3
Uma palavra de elogio para a nossa primeira-dama de tailleur feito com a bandeira nacional.Não se compara com a figura da mulher de Carlos Cruz, toda nua dentro da bandeira nacional, que fez a capa da Nova Gente (se não estou em erro...). Mas muito próximo de uma elegância-chinelo bem representativa das nossas gentes.
Ouvi dizer que o Toy até já está a pensar compôr uma cançãozita a propósito... ("Olha a bandeira que se farta de apitar, ripipipipi, e nunca mais desafina, rapaziada quem é que quer apitar... etc").
---------
---------
Uma palavra de elogio para a nossa primeira-dama de tailleur feito com a bandeira nacional.Não se compara com a figura da mulher de Carlos Cruz, toda nua dentro da bandeira nacional, que fez a capa da Nova Gente (se não estou em erro...). Mas muito próximo de uma elegância-chinelo bem representativa das nossas gentes.
Ouvi dizer que o Toy até já está a pensar compôr uma cançãozita a propósito... ("Olha a bandeira que se farta de apitar, ripipipipi, e nunca mais desafina, rapaziada quem é que quer apitar... etc").
---------
---------
PORTUGAL OLÉ OLÉ 2
A energia em Lisboa era diferente, desta vez. O que começou por ser um ajuntamento de pessoas surprendidas com as inesperadas vitórias transformou-se numa segurança estrangeira; uma confiança a que não estamos habituados. E isso, sendo curioso, não é nada portuga... A ver vamos o que se segue.
A energia em Lisboa era diferente, desta vez. O que começou por ser um ajuntamento de pessoas surprendidas com as inesperadas vitórias transformou-se numa segurança estrangeira; uma confiança a que não estamos habituados. E isso, sendo curioso, não é nada portuga... A ver vamos o que se segue.
PORTUGAL OLÉ OLÉ
Graças aos deuses que está a acabar. Vão acabar-se as estafas a pé até ao Marquês e o regresso a casa arrastando a bandeira a que tenho sido (satisfeitissimamente) submetido :)
Para bem dos que entendem alguma coisa de futebol estou quase a calar-me com "Tirem-me esse homem da Grande Área" ou "Isto é claramente Fora de Jogo!". :) Por uma vez, Treinador de Bancada.
Graças aos deuses que está a acabar. Vão acabar-se as estafas a pé até ao Marquês e o regresso a casa arrastando a bandeira a que tenho sido (satisfeitissimamente) submetido :)
Para bem dos que entendem alguma coisa de futebol estou quase a calar-me com "Tirem-me esse homem da Grande Área" ou "Isto é claramente Fora de Jogo!". :) Por uma vez, Treinador de Bancada.
30 de junho de 2004
JUSTIÇA CEGA!
"Três taxistas foram detidos esta madrugada pela Inspecção-geral das Actividades Económicas (IGAE) por praticarem preços acima do tabelado no transporte de passageiros entre o Aeroporto da Portela, em Lisboa, e hotéis no centro da cidade."
in Público.
Por amor de Deus! Como se isso fosse possível!...
"Três taxistas foram detidos esta madrugada pela Inspecção-geral das Actividades Económicas (IGAE) por praticarem preços acima do tabelado no transporte de passageiros entre o Aeroporto da Portela, em Lisboa, e hotéis no centro da cidade."
in Público.
Por amor de Deus! Como se isso fosse possível!...
UM MUNDO PERFEITO
Como se dizia nos já citados "Anjos na América", há os que acreditam que o mundo pode ser aperfeiçodao e até, quem sabe, atingir a harmonia total, e os outros. Os que aceitam que o mundo não tem conserto e que vivem bem com isso.
Considero-me entre os primeiros. Com a incapacidade de não ver, dos segundos. O que dói é isto, ver que o mundo é como cada um de nós - imperfeito, comprazendo-se nos próprios erros - e ao mesmo tempo, achar que se "eu" me esforçar as coisas melhorarão. Esta bipolaridade não passa, provavelmente, da incapacidade em aceitar um universo sem deuses.
Como se dizia nos já citados "Anjos na América", há os que acreditam que o mundo pode ser aperfeiçodao e até, quem sabe, atingir a harmonia total, e os outros. Os que aceitam que o mundo não tem conserto e que vivem bem com isso.
Considero-me entre os primeiros. Com a incapacidade de não ver, dos segundos. O que dói é isto, ver que o mundo é como cada um de nós - imperfeito, comprazendo-se nos próprios erros - e ao mesmo tempo, achar que se "eu" me esforçar as coisas melhorarão. Esta bipolaridade não passa, provavelmente, da incapacidade em aceitar um universo sem deuses.
29 de junho de 2004
EU É QUE SOU O PIOR!
"Os três jovens arquitectos processados em 2002 por Tomás Taveira num processo sobre a autoria de cinco obras de arquitectura dos anos 60 e 70 foram absolvidos de todas as acusações." Público.
Foi assim afastada a pretensão do celebrado autor da Casa de Banho XXI, de ser dele o assassinato de alguns edifícios, como o edifício Castil. Já no caso de Albufeira foi difícil de deslindar, uma vez que os investigadores do Ministérios tiveram de ir 3 vezes ao local, desmaiando sempre.
"Se é uma construção de merda, com muita cor, então é MINHA!", argumentou o brilhante, arquitecto (por assim dizer).
Infelizmente, perdeu, de nada lhe valendo afirmar que "tinha tudo filmado".
"Os três jovens arquitectos processados em 2002 por Tomás Taveira num processo sobre a autoria de cinco obras de arquitectura dos anos 60 e 70 foram absolvidos de todas as acusações." Público.
Foi assim afastada a pretensão do celebrado autor da Casa de Banho XXI, de ser dele o assassinato de alguns edifícios, como o edifício Castil. Já no caso de Albufeira foi difícil de deslindar, uma vez que os investigadores do Ministérios tiveram de ir 3 vezes ao local, desmaiando sempre.
"Se é uma construção de merda, com muita cor, então é MINHA!", argumentou o brilhante, arquitecto (por assim dizer).
Infelizmente, perdeu, de nada lhe valendo afirmar que "tinha tudo filmado".
BAH!
Vou poupar o meu (fraco) latim, por uns tempos, no caso da feliz partida do nosso amigo Durão e da provável aterragem do nada ambicioso Santana.
As bases do PSD parecem estar satisfeitas com a visão da brilhantina; pela província fora várias mulheres já me confidenciaram "não ser mau", como quem estivesse a aprovar a entrada do Brad Pitt para Presidente. Por isso, talvez uma parte do país mereça mesmo levar com este incompetente e suas muchachas...
Vou-me concentrar no acto de inventar. Histórias de preferência. Formas de pagar a renda, se a crise não for para Bruxelas...
Vou poupar o meu (fraco) latim, por uns tempos, no caso da feliz partida do nosso amigo Durão e da provável aterragem do nada ambicioso Santana.
As bases do PSD parecem estar satisfeitas com a visão da brilhantina; pela província fora várias mulheres já me confidenciaram "não ser mau", como quem estivesse a aprovar a entrada do Brad Pitt para Presidente. Por isso, talvez uma parte do país mereça mesmo levar com este incompetente e suas muchachas...
Vou-me concentrar no acto de inventar. Histórias de preferência. Formas de pagar a renda, se a crise não for para Bruxelas...
28 de junho de 2004
26 de junho de 2004
O TEMPO DE PENSAR E DE AGIR
Enquanto o Presidente pensa, com a sua fleuma característica, uma manifestação toma forma: amanhã às 19 h em frente a Belém.
Contra a hipótese Santanal, pois claro.
Eu estarei lá.Seja lá quem for que organize.
E no fim, ainda comerei um pastelinho de consciência mais tranquila.
Enquanto o Presidente pensa, com a sua fleuma característica, uma manifestação toma forma: amanhã às 19 h em frente a Belém.
Contra a hipótese Santanal, pois claro.
Eu estarei lá.Seja lá quem for que organize.
E no fim, ainda comerei um pastelinho de consciência mais tranquila.
ROCKODROMO
Preparava-me eu para comentar o último disparate do presidente da C. de Lisboa, Pedro S. Lopes, quando a notícia ou o rumor dela me entrou pela sala dentro.
Ficou assim relegado o nojo da ideia da conversão do Cinema S. Jorge em "rockodromo" (????). Depois do Condes ter passado a Hard Rock Cafe, o executivo camarário tem a brilhante ideia de estourar o erário municipal numa coisa com muita cor,muita música, muita argola... em resumo: pasto para as santanetes.
O cimo da Av. da Liberdade arrisca-se assim, a transformar-se numa zona de destroços encimada pelo Buraco do Marquês.
Mas a tomada de assalto, ou de bandeja, desta criatura à cabeça do governo do meu país, não sendo surpreendente, é de mais para a minha paciência.
Santana Lopes representa o pior do PSD, já o disse, aqui, e repito. É o chefe das argoletas e dos ambiciosos que descansam de camisinha GANT e sapatinho de vela (caro). É a figura que toma a ostentação e o novo-riquismo como um valor nacional. E isso, ninguém de bom senso neste país pode suportar.
Com todos os defeitos (nomeadamente o de aturarem por interesse os Catilinas do PP), houve medidas que, apesar de duras, me pareceram justas. Morais Sarmento enfrentou a RTP (com resultados insuficientes, é certo, mas para obter melhor teria de ser especialista em Oncologia) Ferreira Leite lá veio passar a mensagem de que quando não há dinheiro não há palhaço e por aí fora. Claro que a área da Cultura, como se esperava, despareceu no éter. Mas ainda assim houve uma energia decisora que serviu de contraponto ao marasmo a que o PS nos tinha habituado. Enfim... Não era mau de todo.
Agora, trazer este... este... Shrek com brilhantina não é uma proposta: é um crime.
Não admira que o primeiro apoiante tenha sido o burgesso da madeira.
Façam como quiserem. Mas contem comigo em tudo o que for manifestação: da anacrónica CGTP à marcha das Mulheres Desempregadas.
O Nietzshe tinha razão: Deus morreu.
Preparava-me eu para comentar o último disparate do presidente da C. de Lisboa, Pedro S. Lopes, quando a notícia ou o rumor dela me entrou pela sala dentro.
Ficou assim relegado o nojo da ideia da conversão do Cinema S. Jorge em "rockodromo" (????). Depois do Condes ter passado a Hard Rock Cafe, o executivo camarário tem a brilhante ideia de estourar o erário municipal numa coisa com muita cor,muita música, muita argola... em resumo: pasto para as santanetes.
O cimo da Av. da Liberdade arrisca-se assim, a transformar-se numa zona de destroços encimada pelo Buraco do Marquês.
Mas a tomada de assalto, ou de bandeja, desta criatura à cabeça do governo do meu país, não sendo surpreendente, é de mais para a minha paciência.
Santana Lopes representa o pior do PSD, já o disse, aqui, e repito. É o chefe das argoletas e dos ambiciosos que descansam de camisinha GANT e sapatinho de vela (caro). É a figura que toma a ostentação e o novo-riquismo como um valor nacional. E isso, ninguém de bom senso neste país pode suportar.
Com todos os defeitos (nomeadamente o de aturarem por interesse os Catilinas do PP), houve medidas que, apesar de duras, me pareceram justas. Morais Sarmento enfrentou a RTP (com resultados insuficientes, é certo, mas para obter melhor teria de ser especialista em Oncologia) Ferreira Leite lá veio passar a mensagem de que quando não há dinheiro não há palhaço e por aí fora. Claro que a área da Cultura, como se esperava, despareceu no éter. Mas ainda assim houve uma energia decisora que serviu de contraponto ao marasmo a que o PS nos tinha habituado. Enfim... Não era mau de todo.
Agora, trazer este... este... Shrek com brilhantina não é uma proposta: é um crime.
Não admira que o primeiro apoiante tenha sido o burgesso da madeira.
Façam como quiserem. Mas contem comigo em tudo o que for manifestação: da anacrónica CGTP à marcha das Mulheres Desempregadas.
O Nietzshe tinha razão: Deus morreu.
25 de junho de 2004
ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA NO JOGO PORTUGAL-INGLATERRA?
De vez em quando, na nossa história pessoal, damos connosco rodeados de milhares de pessoas que expressam o mesmo sentimento.
Os mais novos não poderão compreender o que foi nas ruas o 1º de Maio. Como os filhos não compreenderão o que os levará a falar da noite de ontem como um momento em que saíram à rua porque a casa era pequena para a sua alegria. Exagero? Será, mas é de emoções directas que Portugal está a necessitar para levantar voo da apatia.
Esta, serve.
ps: eu estive no Marquês de Pombal e vi homens que trepavam estátuas gigantes.
De vez em quando, na nossa história pessoal, damos connosco rodeados de milhares de pessoas que expressam o mesmo sentimento.
Os mais novos não poderão compreender o que foi nas ruas o 1º de Maio. Como os filhos não compreenderão o que os levará a falar da noite de ontem como um momento em que saíram à rua porque a casa era pequena para a sua alegria. Exagero? Será, mas é de emoções directas que Portugal está a necessitar para levantar voo da apatia.
Esta, serve.
ps: eu estive no Marquês de Pombal e vi homens que trepavam estátuas gigantes.
24 de junho de 2004
VERÃO. COMO DIRIA O CEGO
Há manhãs como esta, cinzentas e esquisitas, em que as vozes das pessoas nos chegam abafadas da rua e o barulho dos carros (constante, sempre constante)não deixa entrar a luz em casa. Há manhãs em que o corpo ainda não acordou e já se está a vestir para ir cumprir um ritual monótono que nos consumirá a pouca energia que conseguimos apanhar do chão.
E mesmo assim temos sorte. Como um domador que decidiu viver no circo e todas as semanas é obrigado a limpar a jaula e ajudar a desmontar a tenda. Os pesados ferros da tenda.
Vivemos na esperança do vento da estrada.
Há manhãs como esta, cinzentas e esquisitas, em que as vozes das pessoas nos chegam abafadas da rua e o barulho dos carros (constante, sempre constante)não deixa entrar a luz em casa. Há manhãs em que o corpo ainda não acordou e já se está a vestir para ir cumprir um ritual monótono que nos consumirá a pouca energia que conseguimos apanhar do chão.
E mesmo assim temos sorte. Como um domador que decidiu viver no circo e todas as semanas é obrigado a limpar a jaula e ajudar a desmontar a tenda. Os pesados ferros da tenda.
Vivemos na esperança do vento da estrada.
23 de junho de 2004
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 2
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 1
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
22 de junho de 2004
PERGUNTO EU
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
21 de junho de 2004
MEA CULPA?
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
HORA DE DORMIR
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
18 de junho de 2004
BREVES (QUE ESTOU ATRASADO)
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
ADEPTOS
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
ARTE
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
16 de junho de 2004
BE NICE
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
15 de junho de 2004
14 de junho de 2004
EMIGRANTES
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
ELEIÇÕES
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
13 de junho de 2004
É DIFÍCIL FLUTUAR SOBRE O TEJO
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
CONTRA O FUTURO MARCHAR, MARCHAR
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
10 de junho de 2004
DIA DE CAMÕES 3
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
DIA DE CAMÕES 2
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
9 de junho de 2004
HIPOCRISIA PARA UM SOLDADO MORTO
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
8 de junho de 2004
PORTUGAL LITERÁRIO
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
5 de junho de 2004
800 MILITARES VÃO FAZER DE FIGURANTES NO EURO
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
CRÓNICAS DO PÚBLICO
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
COMENTAR, JÁ!
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
4 de junho de 2004
FANFILMS
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
CONVITE
O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
........
........
O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
........
........
3 de junho de 2004
O OUTRO LADO DO ESPELHO
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
..........
...........
ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
..........
...........
ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
2 de junho de 2004
FEIRA DO LIVRO
Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
.....
.....
Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
.....
.....
UM AMOR DE ÁGUA FRESCA?
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
Subscrever:
Mensagens (Atom)